JBS acelera produção para atender crescente demanda no varejo

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(Bloomberg) — A JBS, maior processadora de carnes do mundo, opera em ritmo acima do normal para atender à demanda global por proteínas que até agora resistiu aos abalos causados pelo surto de coronavírus.

“Estamos trabalhando horas a mais, nos finais de semana, para garantir o suprimento mundial de alimentos”, enquanto tomamos medidas para proteger funcionários e dar continuidade às operações, disse o presidente da JBS, Gilberto Tomazoni, em entrevista por telefone. “Se não abastecermos o mercado, entraremos em pânico. Seria o caos.”

Embora a demanda por serviços de alimentação esteja “muito sofrida” com mais pessoas em casa para conter a propagação da doença, o aumento das vendas no varejo tem sido mais que suficiente para compensar essa queda, disse. Para as próximas semanas, a companhia espera uma normalização dos níveis de produção à medida que a corrida dos consumidores às gôndolas deve diminuir.

A empresa está preparada para a mudança de comportamento do consumidor durante a pandemia, disse Tomazoni. A JBS pode rapidamente desviar a produção destinada a restaurantes para abastecer supermercados. A empresa também produz uma variedade de proteínas, o que permite se adaptar às mudanças de preferência do consumidor.

Depois de as ações atingirem uma máxima histórica em setembro devido à crescente demanda impulsionada pela propagação da peste suína africana na China, a JBS perdeu cerca de metade do valor de mercado na onda vendedora provocada pelo coronavírus. Na semana passada, as ações mostraram certa recuperação.

“Estamos positivos com o nosso fluxo de caixa para 2020, apesar da crise do coronavírus”, disse. “O gap de proteína causado pela peste suína africana não mudou.”

A demanda na China se recupera após a retração no início deste ano, quando o país foi atingido pelo novo vírus. Cerca de 80% do tráfego interno da China foi normalizado, disse Tomazoni, o que abre caminho para que as importações se normalizem. Ainda assim, a escassez global de contêineres causada por gargalos nos portos chineses tem dificultado as exportações, embora nenhum embarque da JBS tenha sido atingido pela falta de equipamentos até o momento.

O aumento da produção para encher prateleiras ocorre em todos mercados em que a empresa opera, dos EUA à Austrália. A exceção é a unidade de carne bovina do Brasil, onde cinco de um total de 37 frigoríficos serão fechados este mês. A decisão de cortar a produção brasileira de carne bovina foi tomada antes do agravamento do surto de coronavírus no Brasil, devido à desaceleração das exportações, segundo Tomazoni. Os frigoríficos devem retomar as operações em abril.

Os compromissos de longo prazo permanecem, como o plano de investimento de R$ 8 bilhões para o Brasil ao longo de cinco anos e aumento de produtos de marca, embora agora não seja o momento de fazer uma aquisição, disse o executivo. A companhia também firmou o compromisso de manter seus 240 mil postos de trabalho em todo o mundo durante a crise.

Em relação à listagem nos EUA, os planos estão de pé, embora nenhuma data tenha sido definida. “Esta é uma prioridade para a JBS, mas falar sobre isso neste momento não é apropriado”, afirmou.

Ainda assim, uma listagem tem vantagem em relação a uma oferta pública inicial, disse Guilherme Cavalcanti, diretor financeiro da JBS. Como a empresa não planeja captar recursos na operação e quer apenas listar parte de seus ativos nos EUA, a JBS tem mais flexibilidade em termos de prazo.

“Não precisamos esperar por uma janela favorável no mercado”, disse. Tanto Tomazoni quando Cavalcanti não quiseram fornecer uma estimativa para a data da listagem.

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